Ando blue…como andamos todos. Não é só pelo fecho de Ormuz, nem pela subida dos meios de sobrevivência.
Sim porque andamos em modo sobrevivência e nunca antes tivemos tanto de tudo.
Lamento meus filhos e meus netos. Vamos deixar-vos uma enorme cagada!
A Ocidente vivemos o desmantelamento de mais um Império na frente da guerra.
O chamado Oriente médio ( a meia distância do seu anterior império colonial, aquele dos Bretões) tem por destino imposto nunca ter paz. Para não ter poder.
Nem com Acordos Abrahamicos. Foram ao engano. Acharam que Israel vinha por bem através do amigo americano… Israel sempre quis atingir o Irão. Já tem a Síria e o Iraque desmantelados.
Repito na minha ardósia, o berço da História, de profundas riquezas, tem por destino – tal como no continente africano – nunca ser deixado em paz, para não ter poder.
Por isso são pintados como lobos predadores, pelos lobos predadores com pele de cordeiro.
Acrescento um só pormenor… Todos estão nus.
Com vícios diabólicos, o império contemporâneo com o complexo de Deus da guerra, o fruto militarizado de uma traumatizada e psicótica América de 49 estados, está-nos a transformar em espectadores do Coliseu de Roma, dessensibilizados para com a violência.
Nós importamos o produto, sem ler a bula do fruto.
São estes os agentes perigosos do rompimento do tecido das sociedades actuais. Não são os imigrantes ou emigrantes.
Esses por norma, na sua grande maioria, reconstroem.
Os que fazem e pagam para que não haja paz, destroem.
Para que os outros não tenham poder.
A desumanização e a dessensibilização para com a violência estão a destruir o tecido das sociedades e isso é que me deixa “blue.” Porque nada somos sem os outros.
Falo de todas as formas de violência. Incluindo o não pagamento da baixa por inteiro aos doentes oncológicos, chumbado no Parlamento português.
Que vergonha termos chegado aqui. E sim, isto está tudo ligado ao lixo de sistema que importamos, que vê os seres humanos como “coisas” a quem se podem vender coisas. Somos a linha para os negócios privados. Alguns são verdadeiras formas de violência e violação da vida humana no planeta.
Empurram-nos para todas as formas de violência.
A violência na adolescência. A violência doméstica. A violência sexual sobre crianças, mulheres e homens. A violência dos genocídios, a violência da fome. A violência das guerras. A violência da impossibilidade de vida familiar. A violência da pobreza. A violência das doenças mentais. A violência da solidão.
Num mundo que atravessa um momento de enorme prosperidade, com tanto, mas só para alguns poucos.
Desculpem-me filhos e netos por vos deixar este planeta tão doente e em lugar de Ubuntu – ” eu sou porque nós somos”, deixo-vos esta espécie de coliseu – manicómio colectivo esquizóide onde vivemos em modo sobrevivência. E isso deixa-me “blue”.
Contudo, no fundo da caixa de Pandora, vejo o brilho da esperança…
Um dia o Império Romano caiu e transformou-se num império religioso, no Vaticano. Outros impérios caem, desmembram-se e acabam.
A minha esperança de esperançar vem de uma geração híbrida, que nada quer ter a ver com este ciclo de violência. Porque uns sem os outros, não somos nada.
Anabela Ferreira


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