Palestina meu amor

Não te conheço, nem às tuas fogueiras,

sei que és semita de origem, 

esse é o teu chão, 

sei mal a tua dor, pouco sei da tua história 

não conheço as tuas mãos, nem as tuas oliveiras,

pouco de ti conheço nem à tua vertigem,

porém, conheço as tuas lágrimas

São as minhas!

fruto da salicórnia crescida nas margens dos rios 

de lágrimas dos meus antepassados,

de pele como a tua, escura, vestidos 

transaccionados, mortos, atirados ao oceano

roubados de casa, de terra, de língua, de família de sangue 

escravizados em moradas lucrativas, 

por quinhentos anos,

não te conheço mas sei-te ler o terror no rosto

de uma gravada história de horror,

só tenho uma esperança quase certa 

que vem de um gosto,

um dia serás descolonizada, 

como eles por fim, lutaram e conseguiram,

quinhentos tormentos passados, 

e torturas sem fim

por homens dementes, usando desculpas racistas, 

citando Escrituras

como se assim o diabo se tornasse humano

sabes, 

se é verdade que deus nos criou 

ao mundo, à via láctea, os planetas e as galáxias inventou 

se profetas, messias e salvadores mandou, 

não sei,

concedo-lhe uma graça, 

por ele se dizer à minha imagem e semelhança, 

o pobre cometeu um erro sem graça, 

até um engano

criou-nos de maleitas carregados 

descompostos, desgraçados

tu Palestina hoje, africanos de ontem, 

uma voz que não cala

és hoje a nossa chaga, 

o nosso pecado

como viveu o meu antepassado, 

debaixo de uma bala

um dia, esperanço, 

encontrarás o teu destino,

serás também libertada, descolonizada 

pelo amor de humanos que te veem sem viés 

mesmo sem saberem quem és.

Eu, ser humano imperfeito, descomposta, complexa e carregada de maleitas, escrevo como respiro. É a minha lei de existência. 

Inspirar vida e expirar palavras.

Fazer carreira no aperfeiçoamento de ser, de viver e de escrever.

Trazer a Palestina na voz para que não seja esquecida faz parte desta missão. Lembrar que hoje é o Irão atacado pelos mesmos inimigos, os colonizadores da Palestina. Não esqueçamos. 

São os mesmos diabos que citam as Escrituras quando lhes convém. Sabem bem o que fazem. Não são filhos dos deuses nem escolhidos como salvadores. 

São os mesmos que ontem criaram o mundo de ódio, divisão e competição e até ao presente momento, asseguram que essa seja a nossa realidade paralela.– 

Anabela Ferreira

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