Prometo no próximo domingo ter o 25 de Abril de 1974 em mente

“A cultura ocidental tem por base o grego que casou com uma judia e a levou para morar em Roma.”

Quando no domingo forem votar, lembrem-se de quando em Abril de 1974 ganharam o direito ao voto. As mulheres foram votar pela primeira vez. Foram estudar. Pediram um passaporte. Foram viajar sem precisar de autorização do marido. Mais, o voto feminino era exclusivo para as Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.

Só com a Constituição de 1976, após a queda do Estado Novo, o voto feminino passou a ser universal. A mulher não era considerada um sujeito político. Era subordinada ao marido e ao lar. Podia exercer duas profissões: telefonista e professora primária. Apenas algumas excepções – se fossem chefes de família ,se pagassem impostos, se soubessem ler e escrever, o que estava vedado à maioria (Portugal tinha uma taxa elevada de analfabetização). Só umas poucas privilegiadas tinham acesso à Educação. Da Elite. O provinciano de Santa Comba governou apenas para as “elites” (leia-se gente do dinheiro e dos negócios). O resto era tratado como um bicho sem valor.  Se alguém que veio aqui deixar a sua opinião – sobretudo fascistas – quiser saber mais, deixo um conselho: estude. Tenho intolerância a intolerantes. Se quiserem saber mais sobre esta filosofia – os fascistas que vieram aqui comentar – estudem Popper. 

Lembrem-se de que ganharam uma Constituição e esta protege os direitos de todos, incluindo todos sem olhar a credos e cores. 

Lembrem-se de que a democracia, ou o que quer que seja que vê direitos iguais para todos, mesmo não dando oportunidades iguais a todos, num Estado que vê os seus cidadãos como iguais, nasceu em Abril de 74. 

Nasceu também o Serviço Nacional de Saúde. Nasceu o acesso à Educação universal (Portugal era um país maioritariamente analfabeto). Nasceu a visão do Estado que protege os mais vulneráveis e desfavorecidos, hoje em estado de coma, caído no frio chão sem sequer uma maca para o amparar.

Portugal era profundamente pobre – hoje muito pobre na sua alma ferida, deixou-se corromper pelo apelo predador neoliberal, na economia, no fosso entre ricos e pobres, nos privilégios só para uns, na corrupção, na fuga aos impostos. Contudo, não podemos querer falsos profetas da salvação no poder.

Um dia lá atrás tudo começou com Judas…e as falsas promessas de paraíso. A base da civilização ocidental. O Estado casado com a Igreja que hoje é laico. Lembrem-se dos factos. 

Quando forem votar no domingo, lembrem-se de mais factos. As independências dos países de África onde se fala português também nasceram depois de 25 de Abril de 74 pela mão de Amílcar Cabral, que pariu os movimentos de libertação em 1963, colocando ponto final em quinhentos anos de domínio, controlo, exploração, racismo e poder. 

Lembrem-se! Dos vossos avós, pais e se têm mais de cinquenta anos, lembram-se certamente de como era Portugal. 

Um regresso ao passado será impensável. Um bilhete de ida para o caminho dos negócios e só negócios, valendo a lei do mais forte para quem tem dinheiro e privilégios, a existência exclusiva de serviços privados é um absurdo e uma traição. 

Os cidadãos somos nós, como nós, os zés de ninguém vivendo as desigualdades cada dia maiores. Um PR vai ter de ter visão para o país, como um Estado de cidadãos, não de negócios. Com coluna vertebral, de Estado de Direito democrático.

Apoiarmos guerras, invasões, genocídios onde quer que aconteçam é outra traição. Essas atitudes pertencem a um passado obsoleto. 

Estamos numa encruzilhada. Um PR é um garante de todas as razões da revolução em Abril de 74. Pensem no passado asqueroso que caiu a 25 de Abril de 1974. 

De todos os candidatos há poucos que me fazem pensar na continuidade do 25 de Abril de 1974. Com inteligência emocional e espírito evoluído, que respeite um país que queremos em evolução. 

Os restantes cheiram-me a mais do neoliberalismo “laissez-faire laissez-passer” e que se lixe o zé. 

Prometo no próximo domingo ter o 25 de Abril de 1974 em mente!

Anabela Ferreira

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