Carta para me distrair, dirigida a ti que me lês e também te queres distrair

Julho a chegar ao fim, os fogos a alaranjar a lua, as guerras que não se dão por terminadas (serem ad eternum, esse é o objectivo), os pobres em guerra com os mais pobres que eles, a spinum que vai viva com o primeiro, o neves que conta com um tanque-piscina onde se lavam mãos e aventais, ninguém com suficientes ousadia para se demitir que isso até pareceria sério), a educação do Alexandre ministro segue a vida da merdura, enquanto alunos e professores desesperam, avançamos em frente, umas gerações mais burras ( deve ter sido o chip aldrabado introduzido pela bácina, sim, que o único esperto é o gonçalo santos), um país mais incendiado com a nova cara da Quinita (que não lhe muda a triste brejeirice), com a neurodivergência da Mafalda ( deve ser a gozar com quem sofre de autismo), e com o humor da Joana (que não gozou com autistas antes sim com quer capitalizar, humor que digo eu não deve ter limites, ou os Monty Phyton suicidar-se-iam), mas nada indignado com os lucros da Galp, com o chumbo na justiça, na saúde e na educação (ou seja, um país abaixo do negativo) e ou a corrupção. Olhando pela janela do mundo, vendo um estreito que resiste, em Ormuz, à distracção da pedofilia, vê um genocídio que se perpetua, por razões de dinheiro e poder ( de novo), usando a religião como desculpa, até todos finalmente odiarmos os judeus como Hitler queria. O rolo do filme está embrulhado em papel pardo da facharia que não dorme, nem tira férias de verão. Até picam o ponto às sete da manhã. 

As distracções seguem, numa história contemporânea perto de nós.  

Deus abana a cabeça como o agente imobiliário que se enganou a demarcar o terreno: ” isto deu merd@”. 

Vai ficar tudo bem…E agora, José? E agora, Maria? 

De bom temos o melhor golo do mundial, o do Sidny, do meu país. Já ganhei o verão, de inchada que fiquei. Cabo Verde, riba lá! 

O mundo que ganhe juízo e aprenda contigo a ser mais humilde, criativo, simpático e vencedor. 

Como diz o poeta Kiesse “se te merdificarem a vida, manda-os para a poesia que os pariu”. 

Ou para a put@, dizia o Saramago 

( aquela que não tem culpa de ter tido filhos assim). 

Vou escrever poesia. Ou assim. Para sentir menos vergonha.

Anabela Ferreira

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