O capitalismo usa o corpo, em particular o da mulher (porque esta é a máquina de produção de futuros corpos lucrativos) como arma de facturação através do entretenimento.
Uma menor é violada por quatro monstros abjectos, indignos da espécie. A saloia da Malveira, esquecendo a sua biologia e capacidade de gerar vida, com a adrenalina alta de gerar lucro, não ouve o basta vindo da negação da vítima, tão alavancada que sente audiências e lucros na sua conta, limpa um crime de violação, continuando o crime.
A ela junta-se a abelha Maya, ao aceitar debitar números de telefone de valor acrescentado ( com ganhos certamente significativos), para receber a opinião do público. Só €1,23 para dares a tua opinião. Nem pestaneja, hesita ou vê o mal.
É paga para fazer aquele papel e além do mais tem de pagar as suas contas.
No mundo do entretenimento vale tudo desde que entrem lucros e audiência. Incluindo opiniões abalizadas sobre violações de uma menor por um grupo de animais feios, porcos e maus.
Todos os que participam neste jogo sabem o que fazem. Fazem-no com propósito e agenda. Incluindo quem dá opiniões em espaço público carregado de privilégio s.
Porque nós somos também estes animais e não fazemos nada para parar este impulso.
Consumimos este produto e pagamos para o ver.
Sobe-nos a adrenalina com: mexericos, violências de todas as formas, degradação, crimes, humilhações, bullying e maldade pura. Até o diabo se deve sentir espantado com a nossa natureza.
Tivessem cobrado €1,23 por cada membro das famílias domingueiras, quando guilhotinavam pessoas, ou quando a Inquisição queimava mulheres na praça pública, as TVs e vendidas da época teriam comprado a via láctea.
Os homens que programam estas merdas, com tanta adrenalina, salivam…
As mulheres que se vendem a isto…shame on you!
São os capatazes que empunham o chicote para vergastar as costas dos escravizados.
É a mão que vende os da sua tribo.
Esta é também a minha vergonha alheia.
Ontem conversava com uma amiga o quanto participamos no jogo de ” odeiem-me, porque eu também não gosto de mim”. Este é o jogo do capitalismo instaurado por um grupo de homens que odeiam os corpos das mulheres.
Como forma de as ter dentro do jogo pagam-lhes bem para calarem, participarem, não verem, falarem bem ou desculparem quem as oprime. Esse é o ganho maior do jogo psicológico do capitalismo selvagem que factura com audiências, gostos e chamadas telefónicas com opiniões.
– Estou sim? Concordo. São todas putas! €1,23
– Estou sim? Mas está tudo marado? €1,23
– Estou sim? No calor do momento, são jovens, não pensam…€1,23
Nota co-lateral,
Enquanto isso nós pomos silicone nos beiços, nas mamas, no rabo, pomos extensões, alisamos, pomos pestanas duplas, mamas triplas, pagamos por vaginas operadas, olhos sem rugas, cabelos pintados e sei lá mais o quê.
Porque nos odiamos e mandamos a mensagem: são livres para nos odiar.
Porque envelhecemos e buscamos a juventude eterna?
Porque nos odiamos como somos.
Epilogando,
Há uma verdade que devemos sempre ter presente: nunca a vítima tem culpa.
A culpa está em quem pratica um acto de violência, sobretudo da natureza de uma violação.
A culpa vem da mão que empunha a arma que mata em vida o resto da vida da vítima de uma violação, vem de quem é cúmplice, de quem facilita, não educa, ganha dinheiro, e, lava o crime. Não esqueçam.
Resta-me ir ali à praia porque o sol que desce da serra até ao mar é de graça e faz-me feliz.
Anabela Ferreira


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