Admirável gado novo!

Estou presente, assumo e acuso.
Assumo-me anti estado nazionista. Aquele que barbaramente comete um genocídio na Palestina. E não sou anti-semita. Nem anti-judeus. Respeito e história dos judeus. Respeito a história dos Palestinos.
Faço parte de ambos. No meu sangue, cruzam-se árabes e judeus, povos semitas. Tanto quanto de pretos e de brancos. Curiosamente, somos assim, nós humanos. Como um remix na mesa de mistura de um qualquer bom DJ.
Assumo ambos como minha identidade e das misturas não me envergonho. Fazem parte da minha elevada auto-estima e orgulho como humana.
Ambos têm direito a viver como vizinhos, em Paz, praticando credos religiosos diferentes. Já aconteceu, imagine-se! Não acontece porque alguém não quer.
Ser anti este estado de coisas chamado genocídio, não é ser anti povos semitas. Os judeus que hoje vivem em Israel vivem naquelas terras desde 1948. São naturalmente descendentes dos judeus europeus. E o Holocausto aconteceu na Europa. Há nomes e moradas dos responsáveis que o praticaram, pactuaram e silenciaram.
O que me surpreende é este admirável gado novo vendido não ver o óbvio. Pobres, estão em dissonância cognitiva! Sim, aqueles que defendem o genocídio ou não o vêm a acontecer. A sério? É admirável não verem. Espera! É impossível não verem. O que não lhes escapa é o saldo bancário.
Acuso o primeiro ministro do Estado de Israel de genocídio, como o fez o Tribunal Penal Internacional que o acusa. Nada de novo sob o sol. Como consequência, sob ele pende um mandado de captura. Basta este facto simples para que não houvesse ninguém a defendê-lo. Ou a clareá-lo. Ou a deixá-lo passar impune. Com todos os que o defendem de arrasto. Ou fingem que não se passa nada…
Como ontem aconteceu na África do Sul de Biko e Mandela, com o regime de apartheid. Há anos houve um boicote/embargo cultural das Nações Unidas e de muitos artistas. Dizer “não pactuamos” é a única via para terminar a barbárie.
Gritemos estes factos aos defensores do estado e dos soldados que os cometem. Tirem os Deuses e os direitos sobre territórios desta equação!
Em face à violência, calar é também violência. O silêncio e a neutralidade favorecem o agressor, sempre. O silêncio e a neutralidade escondem em voz alta o lado que apoiam.
O genocídio é contra gente de cor preta, por ser preta. Ao entendermos este simples facto pergunto : de que lado estão os defensores do ” todas as vidas contam?” Percebem as razões do movimento ” black lives matter?” Porque foram silenciadas e não apoiadas, como acontece agora com os Palestinos.
O genocídio é silenciado por aqueles que o cometem, aqueles que apoiam os criminosos e os defendem. São racistas sem máscaras.
Nestes tempos de arte performativa, racismo, ódio, crueldade e sadismo, venda barata da alma, ser uma voz alta dissonante e sem ambiguidade contra esta agenda é ser punk as fuck! Sou punk as fuck!
Anabela Ferreira
