Vem daí comigo para uma chávena de histórias

Onde estavas há 25 anos no dia 11 de Setembro de 2001?

O ataque a Pearl Harbour no Hawai de origem nipónica faria os norte-americanos juntarem-se aos Aliados na segunda guerra mundial em 1941. Minoru Yamasaki, nascido em Seattle, escapou aos campos de concentração nascidos para castigar os japoneses após o ataque, por trabalhar na empresa norte-americana que construiu o Empire State Building. 

Yamasaki tornar-se ia um importante arquitecto a quem o destino encarregaria o projecto do World Trade Center. Entre as sete torres grandiosas, erguiam-se as torres gémeas , a Norte e a Sul, com 410 e 417 metros respectivamente e 110 andares. Seria inaugurado em 1973 na baixa da Ilha de Manhattan.

O complexo tinha recebido a inspiração no complexo de Meca, na Arábia Saudita com o conjunto de 7 torres com hotéis, duas torres gémeas, restaurantes e comércio para os peregrinos muçulmanos e a Royal Clock Tower com 601 metros de altura (o complexo símbolo do Islão).

No topo da torre norte – andares 106-107 o restaurante “Windows on the world” abria as portas em 1976. Não houve sobreviventes.

Yamasaki chamou ao WTC o “farol da democracia” – a paz no mundo podia ser alcançada através do comércio segundo os ideais de quem procurava tornar a lower Manhattan num farol. O WTC era visto como o símbolo do capitalismo –o deus dinheiro. Tinha traços semelhantes a Meca. 

Nasciam as torres gémeas com vista para todos os lugares avistados da ilha que colapsariam quando pilotos muçulmanos em nome de Allah, arremessaram sobre as torres norte e sul duas armas carregadas de combustível e passageiros, nos dois voos comerciais. Morreriam quase 3000 pessoas. 

A 2ª Guerra Mundial terminava em Agosto de 1945 com a rendição do Japão, quando duas bombas atómicas eram lançadas sobre Nagasaki e Hiroshima como vingança e ódio, deixando um rasto de sangue. Iniciava-se uma nova fase de outras vinganças por outras mãos sem caridade. 

O deus do capitalismo caía a 9 de Setembro de 2001, como vingança e ódio de um outro deus, sem caridade nem empatia, deixando um rasto de sangue. Yamasaki não viveria para assistir ao fim de fogo do seu inspirado projecto arquitectónico, por ironia de um destino qualquer entre Meca e Manhattan.

Antes das quedas da torre norte, avisos soaram na torre sul para que as pessoas se mantivessem nos seus escritórios. Os desobedientes, sobreviveram e consigo salvaram muitas outras vidas que encontravam no caos das chamas, do ferro retorcido e do aço fundido. 

Os deuses só podem estar loucos…Nem o comércio, nem a religião nem a inteligência nem a razão trazem paz aos homens. 

Menos de um ano depois chegada a JFK, de Maputo, onde assisti ao colapso das torres, iria viver na ilha-cidade que nunca dorme. A big apple, o lugar sonhado por todos quantos  ambicionavam o maior sucesso, o maior prémio. Se tivesse chegado uns meses antes, como inicialmente previsto, teria sido testemunha ocular. 

Não tenho dúvida que conhecê-la por dentro, vivê-la, visitar o ainda desfeito “ground zero”, sentir-lhe tanto a alegria quanto a dor, foi das maiores maçãs doces que guardo da vida.

Meca e Manhattan dois símbolos. 

Será que nos vamos continuar a comportar como loucos vingativos carregados de ódio, em nomes de deuses?   

Anabela Ferreira

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