Cálice… egoísta!

O limite está aí. Há anos que os Portugueses se renderam. Há anos que acham aceitável a maioria emigrar, sair da zona de conforto, ser pobre, viver em condições precárias, não ter casa, ter trabalho precário, ter de habitar e trabalhar em lugares opostos, pagando o preço não só num ordenado incapaz de prover sustento, quanto na saúde física, mental e psíquica.
Há anos que nos rendemos ao ver o serviço nacional de saúde vendido aos privados, os serviços/ empresas pilares de um Estado serem entregues a fundos privados estrangeiros, à maior licitação. A vermos a fuga aos impostos enquanto crescem papéis no Panamá.
Rendemo-nos.
A pontos de elegermos para a AR uma pocilga com 60 porcos, vemos gente menor singrar nos governos e nos partidos ( salvando raras e boas excepções), termos um PM que poderia ser a paródia do Estebes ” todos ao molho e fé no Luís, ai que ainda me partem o vidro da minha sala de descanso onde ouço o Toni”, e um PR feito de tomates moles que pensa em voz baixa
” qualquer dia, temos até gente revoltada e eu não sei ( como nunca soube, o que faço à vida)…”
É inevitável. A invicta mostra a sua raça. Estender-se- à ao rectângulo, rezam as minhas cartas de adivinhação.
Há anos que me revolto, que me indigno, que participo na cidadania, que sofro na pele, que escrevo o que observo. Avisando, votando, escrutinando a corja de predadores e todos os executores, pedindo encarecidamente para não irmos por aí…mas vozes de burro não chegam ao céu.
E, sem ser oráculo, não há estranheza. O inevitável está a acontecer. Fomos percursores a encher sanitas com cocó. As máscaras estão a cair. Salazar é fruto deste ADN com alelos violentos e sem vergonha.
Já não temos nada a perder senão elevar e fazer ouvir a voz de quem está a pagar. Nós! Uma geração tem de ser salva.
A única praxe que devem cumprir para se poderem salvar, é aquela onde não se rendem.
Já não somos livres, nem temos democracia. Nem nada a perder. Já estou velha, mas não me rendo. Bebi de todas as bebidas amargas, traguei todas as dores, nunca deixei a labuta, pedi para que afastassem o cálice.
Hoje peço sem desculpa, jovens deste país não se calem!
Egoísmo, egoístas e pior: sociopatas, vigaristas e traidores são aqueles que acham aceitável haver quem não tenha direito a viver.
Anabela Ferreira
