#EuSouEgoísta

Isto não é um clube. Isto é um culto. E eu não estou dentro dele. Felizmente! Sou egoísta.

A vida não é curta, nós é que a desperdiçamos, afirmou Séneca há dois mil anos.

Nestes tempos, todo o tempo que gastamos e os gestos que fazemos a lutar por dignidade, não são desperdício, são afirmação.

Não falo de oportunistas canalhas da esquerda à extrema direita que se querem usar e aproveitar para criar caos.

Esses chicos -espertos sabem o rosário completo rezado por livros da História desumana, dos humanos.

Esses são peritos em manobras perigosas, portas giratórias, chantagens, têm palco nas tv´s e nos jornais.

Falo de nós, o grosso que aspira a uma vida limpa, antes de impostos.

Aqueles de nós que se manifestam e acampam partindo de uma premissa – só chegámos aqui porque somos colectivo.

Quem de nós é o que quer que seja, se estiver só?

Todos queremos tratar de viver o tempo que nos foi emprestado da melhor maneira. Chegámos ao ponto de escrever leis, cartas de direitos humanos e Constituições. Para protecção colectiva.

Temos esse direito humano de existir só por si, não temos? Isso é ser egoísta, segundo um certo palerma com responsabilidades, armado em Marie Antoinette.

Para alguns somos apenas empecilhos ou estamos a mais. Ou servimos como molas na engrenagem para produzir riqueza e consumir. Sem da riqueza usufruir.

Hoje somos arrastados pelos acontecimentos logo não há tempo a perder. Vamos ser antes pedras na engrenagem.

Digo e faço eu há muito tempo. Dentro e fora de portas.

Porque não é possível ser feliz nesta casa de bom clima, comida fantástica e melhor vinho. Estamos sempre sob especulação e saque.

Eu adiro ao sistema volta, porque também sou de cá, um dia um império disse-me que eu era sua pertença. Nunca recebi dez cêntimos, agora aturem-me!

Não é só habitação. É tudo. Quando comecei nestas andanças da vida já eram os ordenados baixos, as rendas caras, as propinas, o custo de vida elevado, a emigração era a porta serventia da casa…

Eram fundos comunitários, jeeps, especulação e roubos.

Depois vieram os juros baixos e os convites a endividamentos. Presos pelos fundilhos dos créditos.

Chegou 2008/2010. Salvaram o dinheiro. Enterraram os humanos que perderam até o que não tinham. Porta da rua…

Porta escancarada aos fundos abertos da ganância.

Vieram as acampadas no Rossio, porrada da polícia, a saída de lugares de conforto, o fim do subsídio de Natal e férias, diziam que seria para pagar despesas de quem vivia acima das possibilidades.

Mas quem vivia?

Os governantes do Estado que andam a abusar da minha paciência e do meu dinheiro. Da minha condescendência e anuência. E os espertos oportunistas.

Chegou 2020. Vai ficar tudo bem… Só que não.

Enquanto estávamos em casa mortos de medo, a encher os cemitérios com os nossos mortos, vacinados para sermos anti-sociais, o monstro do culto, à solta, tinha os caminhos desimpedidos, sem obstáculos. Ganhava casa, instalava-se sem pruridos.

Hoje vivemos com as consequências de uma pandemia que causou stress pós traumático, entre muitas outras doenças mentais. Aliás, passeiam com o cu ao léu. Nem falamos disto.

Os ordenados continuam baixos, os transportes péssimos, as rendas de casa rendidas à especulação e por aí vai. Se calhar nós é que estamos a mais. Temos de ir morrer longe.

Todos. Em particular os que fazem o país andar de pé. Aqueles que enchem os autocarros, barcos e comboios às seis da manhã…

A luta continua. Todos ligados. Com tudo ligado.

Porque escrevo isto? Porque a sonsice, a ignorância e o fascismo são maningue atrevidos.

São como a humidade. Entram e já não saem.

De repente por aqui entra ruído…

Por exemplo, perguntam-se porque levar bandeiras da Palestina para um protesto sobre habitação?

Ou, se não tens casa, ocupa um imóvel meu (dirá o nosso bimbo nada egoísta primeiro-ministro).

Ou ocupe-se um palácio museu.

Belém poderá servir algumas famílias carenciadas…, digo eu!

Pergunta retórica. És idiota por opção ou tens placas de cimento entre os neurónios?

Ó imbecis subalimentados de neurónios, o tempo urge!

Até a sanidade mental é assunto colectivo. E com a falta dela, aumenta a criminalidade, a falta de empatia, a crueldade. E a ignorância.

Os meus inimigos de uma vida não desperdiçada, não são os pretos, os brancos, os aborígenes, os índios, os indianos, os chineses, os nepaleses, do Bangladesh e etc que andam na mesma luta que eu…

Incluindo os racistas, negacionistas e outros teóricos das substituições “raciais” ( deixem-me rir com estas teorias), pobres como eu.

Com estes últimos dividimo-nos em castas do pensamento crítico.

Eles existem, porém existirem sem dispensar um segundo de atenção ao pensamento, são apenas um erro digno dos prémios Darwin.

Eu tenho zero tolerância para com os intolerantes. E sou democrata por defeito. Já dei para o peditório da tolerância para com quem é intolerante. Perdi sempre.

Já não espero resultados diferentes.

O tempo urge! E eu acuso as gentes do culto. Que se protegem entre si. Que lavam as mãos e as notas uns dos outros.

A culpa está na impunidade que viaja nas suas contas bancárias.

Então porque levar uma bandeira da Palestina para a acampada?

Ou amarela do Brasil, ou da Albânia? Ou da França?

Porque o genocídio que acontece na Palestina diz-nos respeito a todos. É um genocídio. Não seria se fossem brancos, mesmo que numa geografia sem interesse. Além do mais são motivos de cobiça. A Palestina é a Via Maris.

Tanto quanto nos afecta a revolta dos albaneses contra a venda de uma ilha para o lobby família trump- kushner( o lobby israelo-americano).

Tanto quanto as armas nucleares da Rússia ou da América nos afectam.

Tanto quanto nos afecta a eleição de um fantoche idiota sem noção do demente norte americano, no rico Brasil das terras raras e terras grávidas de riquezas.

Diz-nos respeito a todos o aumento de impostos para a defesa, para ajudar na guerra Rússia Ucrânia, uma guerra por procuração americana/ nato, destruindo o pouco que resta da Europa social.

Porque o petróleo do Irão fechado no estreito de Ormuz – por mais uma guerra sem sentido, provocada por um louco demente – é um problema colectivo, que afecta o insuportável aumento do custo de vida global.

Tem sido um escalar de agonia.

Qual a causa deste momento particular na era moderna? Qual o denominador comum? Pois…um octogenário cor de laranja a brincar aos programas de televisão! Com uma agenda.

Se a NATO não se tivesse expandido rodeando a Rússia não teria havido invasão à Ucrânia. Factura cobrada à Europa! E aos norte-americanos. Se a América dos estados unidos não quisesse uma guerra por procuração a Europa não estaria envolvida a pagar um esforço de guerra inútil e fútil.

Como o é a guerra com o Irão. Paga a factura a Europa e os norte-americanos com o aumento do custo de vida.

Como é do interesse da família ter uma Palestina arrasada para concretizar uma Riviera na rota Via Maris do antigo Levante…com a injecção do dólar e da ideologia do cowboy da extrema – direita americana.

Agora estamos todos legitimamente na Ágora.

Uns pedem também as listas do Epstein…onde todos os facínoras estão ligados. Vêem como está tudo ligado?

A Sul é o imperador à conquista de uma América para ser chamada TrumpÉrica.

Somos levados a novas manifestações e acampadas. A Maricarmen é o símbolo e o empurrão.

Onde pensam que vão? É que nós vamos continuar nesta dilatação e contracção.

A especulação e a predação, actividades criminosas nada têm a ver com democracia. Já a sequestraram. Estamos em guerra de guerrilha.

Esperam que as gentes peçam licença primeiro? Em papel triplicado de vinte e cinco linhas com dez carimbos, distribuído por múltiplas secções?

Mais assustadores são estes criminosos do que a matança prometida pela IA ( que não é nem inteligente nem artificial. Ela é todo o conhecimento colectivo sem dono).

Estamos todos ligados e o sentido colectivo está aí nas ruas.

Para o ensinar faltam-me mais mulheres na política como Helena Roseta, Maria de Lurdes Pintassilgo, Odete Santos, Natália Correia em lugar destas Matias da vida, ignorantes, oportunistas e parasitas.

Agora querem-nos doidos, confusos, autodestrutivos, cruéis, ignorantes, invejosos, mesquinhos, individualistas.

Ó subalimentados da vida, até a sanidade é assunto colectivo.

O que um bando de facínoras nos estão a fazer é de um atroz egoísmo!

Se eu morrer amanhã, sei o que ando cá a fazer. Vivo com intenção e não desperdiço a vida. Leio para além da manipulação.

Vou participar na luta, como sempre, contudo vou ficar muito triste se nas Américas, na Europa e em África regressarmos ao fascismo. Estou atenta. Aliás todos deveríamos estar. Tudo é política.

Estamos a assistir ao vivo e em directo a um velho perigoso com demência – esta aliada a um transtorno de personalidade anti social narcisista-maquiavélica – é diariamente um passo curto e doloroso que arrasta o mundo para o abismo.

A queda pode ser brutal e sem anestesia.

Imaginem Israel virar nestas eleições. O Lula ser reeleito, o cowboy laranja perder o senado e o congresso e todos começarem a perder o medo do domínio do fascismo que nunca dorme?

É um probiótico para ajudar o sistema. Todos contamos.

Sou egoísta porque quero continuar a alertar para o facto de sermos a única espécie que funciona como uma doença auto-imune. Destrói-se a si própria.

Queres a invasão de vírus e bactérias que te vão matar? Deixa-os então democrática e tolerantemente de porta aberta entrar…

E matar todo o colectivo.

Dentro deste organismo com o sistema imunitário deficitário, eu e todos os que se preocupam uns com os outros, que descem à Ágora, nós somos os glóbulos brancos.

Por puro egoísmo.

Anabela Ferreira

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